Exame de sangue detecta câncer de pâncreas em 87% de casos – 18/09/2026 – Equilíbrio e Saúde

Um novo exame de sangue sintetizado por pesquisadores dos Estados Unidos identificou 86,8% dos casos de adenocarcinoma do pâncreas nos estágios 1 e 2, em um estudo internacional com 1.785 pessoas.

O teste, chamado Panxeon, combina uma assinatura de dez microRNAs encontrados no sangue com o marcador tumoral CA 19-9 para estimar o risco de câncer. Os resultados foram publicados na quarta-feira (16) na revista Nature Medicine.

A taxa de 86,8% corresponde à sensibilidade do teste —isto é, à proporção de pessoas que tinham câncer nos estágios iniciais e foram identificadas pelo exame. Portanto, o resultado não significa que 87% de todas as pessoas submetidas ao teste receberiam um diagnóstico correto de câncer.

O câncer de pâncreas é frequentemente diagnosticado em fases avançadas, quando as possibilidades de tratamento são mais restritas. Segundo os pesquisadores, atualmente não existe um exame de sangue clinicamente estabelecido capaz de detectar de forma confiável o adenocarcinoma ductal pancreático em estágio inicial.

O Panxeon foi desenvolvido justamente para combinar diferentes sinais biológicos relacionados à doença. Os pesquisadores analisaram dez microRNAs —pequenas moléculas de RNA envolvidas na regulação da atividade dos genes— e os integraram ao nível sanguíneo do CA 19-9.

A partir dessas informações, um modelo computacional produz uma pontuação que estima a probabilidade de a pessoa ter câncer de pâncreas. O estudo também avaliou uma versão baseada apenas na assinatura de microRNAs. Nesse caso, a sensibilidade para câncer pancreático em estágio inicial foi de 83,8%, enquanto a área sob a curva ROC, medida usada para avaliar a capacidade de discriminação do teste, foi de 88,6% na coorte de teste.

A pesquisa foi prospectiva, multicêntrica e observacional e envolveu participantes de quatro países. Os pesquisadores dividiram os participantes em grupos para desenvolver, validar e testar a assinatura molecular.

Na etapa de teste, a combinação entre os microRNAs e o CA 19-9 apresentou sensibilidade de 86,8% para os tumores nos estágios 1 e 2. O desempenho, porém, variou conforme o grupo de pessoas sem câncer usado como comparação.

Entre indivíduos considerados de baixo risco, 3,2% tiveram um resultado falso positivo. Entre aqueles classificados como de alto risco, a taxa foi de 15,6%. Um falso positivo ocorre quando o exame indica a possibilidade de câncer em alguém que não tem a doença.

A diferença é relevante porque o objetivo do teste não seria necessariamente substituir exames de imagem ou confirmar sozinho um diagnóstico. Uma possibilidade, segundo os pesquisadores, é que ele seja usado para ajudar a identificar pessoas que precisam de uma investigação mais detalhada, especialmente aquelas que já apresentam fatores de risco para câncer pancreático.

Lesões pré-cancerosas

O estudo avaliou ainda pessoas com cistos pancreáticos considerados de alto risco. Nesse grupo, o Panxeon identificou 64,3% dos casos de displasia de alto grau, uma alteração que pode preceder o desenvolvimento de um câncer invasivo.

Alguns cistos do pâncreas precisam ser acompanhados de perto e, em determinadas situações, podem levar à indicação de procedimentos para evitar a evolução para câncer. Um exame de sangue poderia, no futuro, ajudar a selecionar quais pacientes precisam de uma investigação mais aprofundada.

Apesar da alta sensibilidade observada no estudo, o Panxeon ainda é experimental. Os próprios autores afirmam que são necessários estudos prospectivos de maior escala para determinar sua utilidade clínica.

A pesquisa também avaliou uma possível aplicação do marcador para acompanhar a evolução da doença. Em um grupo pequeno, de apenas 19 pacientes, os níveis da assinatura de microRNAs diminuíram durante a quimioterapia antes da cirurgia e após o procedimento. Eles voltaram a aumentar antes da ocorrência de uma recidiva. O achado é considerado exploratório devido ao número reduzido de pacientes.

Assim, o principal resultado do trabalho é a demonstração de que uma combinação de marcadores presentes no sangue conseguiu identificar quase nove em cada dez casos de adenocarcinoma pancreático em estágios 1 e 2 entre os participantes avaliados.

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