A notícia falsa de que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) iria retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida viralizou nas redes sociais com impacto negativo para o presidenciável, segundo a Palver, empresa de tecnologia e inteligência que acompanhou a repercussão do tema depois de um card que fazia referência à GloboNews viralizar com o boato.
Cerca de 37% das mensagens, segundo a Palver, consideraram a narrativa como verdadeira, “mobilizando a indignação entre católicos e pedidos de voto contra Flávio”.
A notícia falsa foi intensificada depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, associou o presidenciável a uma mobilização para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A declaração foi dada nesta quinta (24).
Horas depois, a GloboNews fez uma retratação e elucidou que a informação se baseava em um projeto de lei de 2007, do então deputado Victório Galli, à época no PMDB, que propunha substituir a “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado em 2008.
Flávio Bolsonaro se manifestou desmentindo a informação, que atribuiu ter sido divulgada pela “máfia do PT”. Ele, que disputa a preferência nas eleições de 2026 para o cargo de presidente com Lula (PT), também afirmou sempre ter respeitado “todas as religiões”.
A Palver analisou o tema de 18 de setembro, antes da informação dada na GloboNews, a 25 de setembro. A pesquisa considerou as redes sociais Instagram, X, TikTok e Kwai no geral, além de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e 5.000 grupos públicos no Telegram.
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Segundo a empresa, o pico de menções ao tema ocorreu em 25 de setembro, com 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais e 15 menções a cada 100 mil nos serviços de mensageria (WhatsApp e Telegram).
O tema teve tração na noite do dia 24, após a menção na GloboNews, “com viralização massiva de cards e prints nas redes, especialmente no Instagram e no X”. Nelas, o X foi a plataforma com maior intensidade relativa, com salto de cerca de 50 menções por 100 mil mensagens, em 23 de setembro, para 379 menções a cada 100 mil, no dia 25.
Nos serviços de mensagem, o crescimento foi mais moderado, com pico de 15 para cada 100 mil no dia 25, “indicando que a explosão inicial do debate foi impulsionada por veículos de imprensa e perfis das redes, com repercussão parcial nos grupos de mensagens”.
Segundo a empresa, 28% da amostra nas redes sociais foram classificadas como conteúdo neutro. O restante teve, em sua maior parte, críticas a Flávio Bolsonaro (73%). Já 27% das mensagens não neutras apoiaram o político nas redes sociais. Nos serviços de mensagem, 60% do conteúdo com posicionamento foi crítico a Flávio Bolsonaro, contra 40% com posição favorável.
No total, a empresa identificou três principais narrativas veiculadas. Na primeira, em 37% do total de mensagens relevantes identificadas, a notícia falsa foi vista como verdade e acompanhada de “indignação, alerta e mobilização religiosa entre católicos”.
“Essa narrativa é a mais prejudicial à candidatura de Flávio Bolsonaro”, afirma a Palver. “Ela ativou um instinto de autodefesa religiosa entre católicos que pode ter consequências eleitorais duradouras, especialmente se não for eficazmente neutralizada antes da eleição.”
A segunda narrativa, que circulou em 16% do total de mensagens, reproduziu o desmentido de Flávio Bolsonaro, com defesa do candidato. Esse desmentido, porém, teve maior penetração em grupo de mensagens bolsonaristas, sem tanto alcance nas redes, segundo a empresa.
A terceira narrativa, identificável em 15% das mensagens relevantes da amostra, somou checagens jornalísticas que explicaram o contexto da notícia falsa a outras mensagens que questionam a credibilidade do desmentido de Flávio, segundo a Palver, “associando-o a outros escândalos (caso Vorcaro, INSS)”. O restante das mensagens, cerca de 32%, compôs narrativas menores e difusas.
Para a empresa, Flávio Bolsonaro aparece prejudicado com o episódio porque, mesmo após o desmentido da informação e a retratação da GloboNews, enfrenta uma onda de desconfiança no campo católico, com risco de erosão do apoio no segmento.
Já o campo governista teria capitalizado com o episódio, com perfis de esquerda dominando a distribuição nas redes sociais.
De acordo com a Palver, o assunto pode continuar a repercutir nos próximos dias e ser utilizado em campanha. “O boato já ultrapassou as bolhas partidárias e atingiu grupos religiosos de base, terreno onde a correção factual é mais lenta e o impacto emocional é mais duradouro”, avalia a empresa.
Esquerda produziu 2 de cada 3 posts sobre tema, aponta Democracia em Xeque
Levantamento do Democracia em Xeque apontou que a esquerda produziu 2 em cada 3 posts sobre o tema, com o campo progressista respondendo por 66% das 345 publicações e por 70% das interações avaliadas pelo instituto.
Também na pesquisa, a mobilização católica contra Flávio Bolsonaro é o maior eixo, com a leitura de que uma vitória do presidenciável reabriria a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora. O levantamento também identificou ataque da direita à Rede Globo, com 20% das publicações nesse eixo.
A metodologia do Democracia em Xeque considera uma lista de atores ligados ao debate político, entre influenciadores e mídia partidária. Segundo o instituto, a coleta de conteúdo é feita a partir de perfis no Facebook, Instagram, X, TikTok e canais do YouTube, com mais de 19 mil perfis no total e dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.
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