Após dois dias de alta, o preço do petróleo está em queda nesta quarta-feira (16) após a Arábia Saudita ter divulgado que neutralizou ataques de drones vindos dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e realizou ofensivas ao território iemenita.
Com a resposta saudita, os contratos de novembro do barril Brent, referência mundial, caíram para US$ 106,83 (R$ 550,63), desvalorização de 1,77% em relação ao fechamento de terça-feira (15), por volta das 8h (horário de Brasília). Na abertura, a cotação atingiu US$ 109,08 (R$ 562,23), por volta das 21h de terça.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 103,25 (R$ 532,18), queda de 2,44%, por volta das 8h30.
A queda foi motivada pela resposta da Arábia Saudita, que disse ter destruído um drone lançado em direção à cidade sagrada de Meca pelos houthis, que negou o ataque citado pelos sauditas e classificou a acusação como “mentira requentada”.
Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar várias cidades da Arábia Saudita, atingindo oleodutos, refinarias e também interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. A situação provocou a saída de 100 mil países do Iêmen.
Ao mesmo tempo, os houthis relataram que aviões de guerra sauditas bombardearam o Iêmen nesta quarta-feira. Imagens divulgadas pelo grupo mostram aeronaves sobrevoando a região do estreito e enormes explosões eram vistas.
O agravamento do conflito fez com que os EUA reforçassem o alerta que recomenda aos cidadãos do país que evitem viajar a regiões próximas da fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen.
AGRAVA-SE O RISCO DE ESCASSEZ NO FORNECIMENTO GLOBAL DE ENERGIA
A expansão da guerra para o Iêmen ameaça agravar a escassez mundial de energia causada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada há seis meses, que prejudicou o transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
Operadores do mercado afirmam que um fechamento prolongado do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita poderia retirar até 4% da oferta mundial de petróleo. A Arábia Saudita não informou quando as operações poderão ser retomadas, mas o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, disse à CNBC na terça-feira que o petróleo bruto deverá voltar a fluir pelo oleoduto dentro de alguns dias.
Folha Mercado
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A Arábia Saudita lidera desde 2015 uma coalizão que combate os houthis. O conflito havia arrefecido em grande medida sob um cessar-fogo nos últimos anos, mas voltou a se intensificar quando os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em julho e atacaram áreas no sul do reino. A violência aumentou drasticamente neste mês, quando o grupo militante fez recuar forças alinhadas ao governo iemenita internacionalmente reconhecido e apoiado pelos sauditas.
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, telefonou na semana passada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de apoio militar, que até agora se limitou à assistência de inteligência.
Com informações da Reuters e da AFP
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