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Moody’s rebaixa nota de crédito da Aegea – 05/05/2026 – Economia

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da empresa de saneamento Aegea nesta terça-feira (5). A classificação passou de Ba3 para B2 —ou seja, de risco de crédito substancial para alto risco de crédito.

“O rebaixamento reflete um declínio material na flexibilidade financeira do grupo, maior alavancagem e uma percepção de enfraquecimento da governança corporativa, resultando em menor confiança na confiabilidade das informações financeiras históricas e na robustez dos controles internos”, afirma a agência em relatório.

Segundo a Moody’s, esses fatores aumentaram de forma relevante o risco de crédito da companhia, especialmente no contexto de um ciclo intenso de investimentos que restringe a geração de caixa no curto prazo.

Procurada, a Aegea não comentou até a publicação desta reportagem.

A instituição afirma que a classificação permanece em revisão para possível novo rebaixamento. “Avaliaremos a capacidade da administração de executar um plano de ação voltado ao fortalecimento do ambiente de controles internos e à mitigação do elevado risco de governança.”

A medida vem após a empresa divulgar, no início de abril, a reapresentação dos dados de 2024 com uma baixa contábil de R$ 5 bilhões. A companhia publicou as informações após sucessivos atrasos.

Segundo o documento, o ajuste no patrimônio líquido —que representa o valor contábil da companhia, isto é, ativos menos passivos— não representa saída de caixa, mas uma “limpeza” contábil. Um dos fatores foi a reavaliação de participações e investimentos em empresas coligadas, como a Águas do Rio.

Além do patrimônio, o lucro líquido do período também recuou em R$ 593 milhões, assim como as contas a receber (R$ 643 milhões) e outras rubricas.

A empresa tem gerado desconfiança no mercado financeiro. A holding Itaúsa, acionista da companhia, informou que as mudanças no balanço de 2024 provocaram uma redução de aproximadamente R$ 700 milhões em seu patrimônio líquido.

Em fato relevante assinado por Alfredo Setubal, a Itaúsa disse ter solicitado a seus representantes na administração da empresa de saneamento um diagnóstico do ocorrido e um “plano de ação robusto” para fortalecer práticas de governança, gestão de riscos e controles internos.

“Atualmente vemos riscos relevantes de execução associados à estratégia de financiamento, que depende do acesso contínuo a fontes externas para sustentar os investimentos em andamento”, diz o relatório da Moody’s.

Apesar do cenário adverso, a companhia diz manter seus planos de comprar a Copasa, estatal mineira de saneamento que deve ser privatizada nos próximos meses, e da listagem na Bolsa de Valores (IPO, na sigla em inglês).

Fonte: Link da fonte

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