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O Brasil eleva minerais críticos e terras raras à pauta estratégica, visando soberania e industrialização. O governo Lula busca aproveitar o interesse global para transformar o país em produtor de tecnologia, não só exportador de matéria-prima, embora a visão divida o mercado e especialistas.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Os minerais críticos e as terras raras ganharam espaço central na agenda econômica e diplomática do governo brasileiro às vésperas da reunião entre o presidente Lula e Donald Trump. Integrante da comitiva brasileira, o ministro da fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tema estará “sobre a mesa” nas negociações e defendeu que o país trate esses recursos como ativos estratégicos para o futuro da economia e da indústria nacional. O governo tenta aproveitar o interesse global crescente por minerais usados em baterias, chips, carros elétricos e datacenters para ampliar o peso do Brasil na nova geopolítica da energia e da tecnologia.
Soberania é algo bom ou ruim?
No programa Bom dia Ministro, Durigan afirmou que o governo trabalha com dois princípios considerados inegociáveis. O primeiro é a soberania sobre os recursos naturais. Segundo ele, os minerais críticos devem ser reconhecidos como “bem da União”, assim como ocorre com o petróleo e a água. O segundo ponto é evitar que o Brasil repita um modelo histórico de simples exportador de matéria-prima. “Nós não vamos admitir isso”, afirmou o ministro ao defender políticas de industrialização e agregação de valor dentro do país. A ideia é transformar o Brasil em produtor de tecnologia e processamento ligado às terras raras, e não apenas fornecedor bruto para países desenvolvidos.
Mercado dividido
O discurso do governo, porém, divide opiniões entre economistas e especialistas em comércio internacional. Parte do mercado vê risco de que o tom sobre “soberania” gere ruídos com investidores estrangeiros justamente em um momento em que o mundo disputa acesso a minerais estratégicos. O professor Ricardo Rocha (Insper) avalia que o Brasil deveria aproveitar a estabilidade geopolítica da América do Sul para atrair projetos industriais de alta tecnologia, incluindo a produção de chips e datacenters. Já o economista Alex Agostini observa que os minerais críticos podem funcionar como moeda de troca nas negociações tarifárias entre Brasil e Estados Unidos.
Posição privilegiada
O economista Alex Agostini (Austin Rating) avalia que o tema pode ganhar peso estratégico nas negociações entre Brasil e Estados Unidos, principalmente diante da corrida global por matérias-primas essenciais para a produção de baterias, chips, carros elétricos e datacenters. Na leitura dele, o Brasil entra nessa conversa em posição privilegiada por reunir reservas importantes e uma matriz energética vista como competitiva para projetos industriais ligados à transição energética.
Moeda de troca
Agostini observa que as terras raras podem funcionar como uma espécie de “moeda de troca” em discussões sobre tarifas comerciais e investimentos internacionais. O debate ganhou força após integrantes do governo brasileiro defenderem que os minerais críticos sejam tratados como ativos estratégicos da União e utilizados para estimular industrialização dentro do país, evitando que o Brasil permaneça apenas como exportador de matéria-prima. Para o economista, a disputa global por esses recursos tende a aumentar nos próximos anos, especialmente com os Estados Unidos buscando reduzir a dependência da cadeia produtiva asiática.
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