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NASA revela que o Telescópio Espacial Roman está pronto

Nesta terça-feira (21), o Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Maryland, nos EUA, confirmou a conclusão do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. O equipamento foi finalizado após mais de uma década de desenvolvimento e integração, entrando agora na fase de testes finais e preparação para o lançamento, previsto para setembro.

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Batizado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, pioneira da NASA na área de astronomia espacial e primeira mulher a ocupar um cargo executivo na agência, o Telescópio Grace Roman é um dos projetos mais importantes da atual geração de observatórios. Em uma sala limpa e controlada, engenheiros e cientistas acompanharam a conclusão da montagem final do sistema, que reúne instrumentos ópticos, eletrônicos e estruturais já integrados. A missão agora avança para a etapa pré-lançamento.

Durante a apresentação, a cientista sênior do projeto, Julie McEnery, destacou que uma das principais expectativas está na possibilidade de descobertas inesperadas. Segundo ela, o telescópio foi pensado não apenas para responder perguntas conhecidas, mas também para revelar fenômenos ainda não previstos pela astronomia atual. “Espero sinceramente, e na verdade acredito, que a ciência mais empolgante da missão Roman seja aquela que não previmos, que não conseguimos prever, mas que definirá as novas e profundas questões a serem abordadas em futuras missões”.

O Roman integra uma nova geração de telescópios espaciais, ao lado de observatórios como o Hubble, o James Webb (JWST), o SPHEREx e o Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA). Cada um opera em diferentes faixas da luz, permitindo análises complementares do Universo. 

Roman fará levantamentos mil vezes rápidos que o Hubble

Um dos principais avanços do novo telescópio está na velocidade de observação. A NASA afirma que ele será capaz de realizar levantamentos do céu até mil vezes mais rápidos que o Hubble, o que permitirá a coleta de dados em escala muito maior, ampliando significativamente o volume de informações disponíveis para a pesquisa científica.

Segundo o administrador da NASA, Jared Isaacman, o Roman poderá reunir em cerca de um ano o mesmo volume de dados que o Hubble levaria milhares de anos para obter. Ele também destacou que as imagens produzidas terão tamanha dimensão que exigirão novas formas de análise e processamento.


O equipamento possui um espelho primário com 2,4 metros de diâmetro, semelhante ao do Hubble. No entanto, sua principal inovação está no campo de visão, que é cerca de 100 vezes maior por imagem. Isso permite observar regiões amplas do espaço e mapear estruturas cósmicas em grande escala.

Engenheiros do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, observando o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman após a integração final dos principais componentes – Crédito: NASA

O principal componente do Roman é o Instrumento de Campo Amplo (WFI), uma câmera de 300 megapixels que opera na luz visível e no infravermelho próximo. O sistema também inclui um espectrógrafo sem fenda, capaz de analisar a luz de objetos distantes e identificar suas propriedades físicas e químicas.

Essa configuração permite que o telescópio observe grandes áreas do céu de forma contínua, aumentando as chances de detectar fenômenos de curta duração. Entre eles estão explosões de supernovas, colisões de estrelas de nêutrons e rajadas rápidas de rádio, eventos que muitas vezes passam despercebidos por telescópios mais focados.

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De acordo com Dominic Benford, cientista do programa Roman, a missão deve registrar milhares de supernovas ao longo de sua operação. “Vamos traçar a história do Universo através de estrelas em explosão”.

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Missão vai investigar o Universo escuro

Outro objetivo central da missão é investigar a matéria escura e a energia escura, que juntas compõem cerca de 95% do Universo. Apesar de não serem diretamente observáveis, esses componentes são fundamentais para explicar a estrutura das galáxias e a expansão acelerada do cosmos.

A matéria escura é utilizada para explicar a estabilidade das galáxias, enquanto a energia escura está associada à aceleração da expansão do Universo. Mesmo após décadas de estudos, sua natureza ainda é desconhecida, o que torna essa investigação uma das prioridades da cosmologia moderna.

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Com seu amplo campo de visão, o Roman poderá mapear bilhões de galáxias e analisar como elas se distribuem ao longo do espaço e do tempo. Esses dados ajudarão a entender melhor como o Universo evoluiu desde suas fases iniciais até sua estrutura atual.

NASA destaca coronógrafo para identificação de exoplanetas fracos

O telescópio também contará com um coronógrafo, instrumento que bloqueia a luz intensa de estrelas para permitir a observação direta de exoplanetas. Segundo a NASA, ele será capaz de detectar planetas até 100 milhões de vezes mais fracos que suas estrelas, um avanço significativo na busca por mundos fora do Sistema Solar.

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Após a conclusão da montagem, o Roman passará por verificações finais e será transportado para o Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Lá, será preparado para o lançamento e integrado ao foguete Falcon Heavy, da SpaceX, escolhido para a missão.

Antes do envio ao espaço, o telescópio já foi submetido a testes rigorosos, incluindo vibração intensa, variações extremas de temperatura e simulações acústicas. Esses procedimentos garantem que o equipamento suporte tanto o lançamento quanto as condições do ambiente espacial.

Depois do lançamento, o Roman será colocado em órbita ao redor do ponto de Lagrange 2, a cerca de um milhão de quilômetros da Terra. Essa região, onde também opera o Webb, oferece estabilidade gravitacional, permite observações contínuas e facilita a comunicação com as equipes em solo, tornando-se ideal para missões científicas de longo prazo.


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