Seis semanas após dar à luz sua primeira filha, Sylvie, fruto do casamento com o ator Dylan Sprouse, 34, a modelo Barbara Palvin, 33, voltou às passarelas no desfile da Victoria’s Secret, realizado no último domingo, 18, em Los Angeles. A aparição de lingerie e salto alto repercutiu nas redes sociais e levantou questionamentos sobre a recuperação do corpo feminino após a gravidez. Na quinta-feira, 22, Barbara revelou que precisou extrair leite nos bastidores e que a equipe da grife chegou a costurar absorventes de amamentação em seu sutiã. A modelo também reconheceu que teve uma rede de apoio para conseguir retornar ao trabalho.
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Em conversa com a coluna GENTE, o obstetra e mastologista Davi Motta, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), explica que o período de seis semanas não significa necessariamente o fim da recuperação. “Nessa fase, o útero geralmente já está próximo do tamanho habitual, e o sangramento costuma estar diminuindo ou ter cessado. No entanto, a musculatura abdominal, o assoalho pélvico e as alterações hormonais ainda podem estar em processo de recuperação, que pode durar meses”, afirma. Segundo o médico, o tipo de parto, o condicionamento físico anterior e eventuais complicações influenciam diretamente esse processo.
No caso de atividades como um desfile, o uso de salto alto e o tempo prolongado em pé também exigem atenção. “Como a parede muscular abdominal e o assoalho pélvico podem continuar enfraquecidos, esforços intensos podem provocar dor, desconforto ou piora de sintomas como perda de urina e sensação de peso vaginal”, explica Motta, que também alerta para o risco aumentado de trombose nas primeiras semanas após o parto. Apesar disso, ressalta que desfilar nesse período não é necessariamente inadequado, desde que a decisão considere as condições individuais da mulher. “A aparência física não traduz necessariamente a recuperação interna do organismo. Uma mulher pode ter recuperado o peso anterior à gestação e apresentar um abdome definido, mas ainda ter fraqueza muscular, alterações na pelve ou dificuldades para realizar determinados esforços.”
Além das questões físicas, o especialista chama atenção para a pressão estética que acompanha a maternidade, especialmente entre mulheres cuja aparência faz parte da profissão. Segundo ele, a cobrança por recuperar rapidamente o corpo anterior à gravidez pode estimular dietas restritivas, exercícios intensos antes da hora e até fazer com que sintomas sejam ignorados. “O problema não é querer voltar ao trabalho ou se exercitar, mas sentir que precisa fazer isso rapidamente para atender às expectativas dos outros. O pós-parto não deve ser uma competição para ver quem recupera o corpo mais depressa”, afirma.
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