O calendário pode ajudar a escolher quando comprar ações? – 23/08/2026 – De Grão em Grão

Nos últimos 20 anos, julho foi o melhor mês para o S&P 500, com retorno médio de 2,44%. Setembro, ao contrário, apresentou queda média de 0,50%. Se você soubesse disso antes de investir, faria sentido comprar em junho e vender antes de setembro? Se alguns comportamentos se repetem, o calendário poderia ajudar a escolher quando entrar e sair da Bolsa.

Essa ideia é conhecida como sazonalidade, e os números mostram que ela existe. No Brasil, por exemplo, o Ibovespa apresentou retorno médio de 2,83% em abril e de 2,32% em julho nos últimos 20 anos. Maio e junho, por outro lado, tiveram médias negativas de 0,98% e 0,42%. Olhando apenas esses números, parece tentador antecipar compras nos meses historicamente melhores e reduzir posições antes dos piores.

A tentativa de explorar o calendário não é nova. Uma das estratégias sazonais mais conhecidas de Wall Street foi resumida na expressão “Sell in May and go away”. A ideia era reduzir a exposição às ações entre maio e setembro, período historicamente mais fraco, e retornar para os meses mais favoráveis entre outubro e abril.

O curioso é que esse padrão perdeu força. Entre 2016 e 2025, o S&P 500 apresentou retorno médio mensal de cerca de 1,25% entre maio e setembro, ante aproximadamente 1% entre outubro e abril. Justamente o período em que o investidor deveria “ir embora” acabou apresentando retorno médio ligeiramente superior.

Isso revela uma primeira dificuldade de transformar sazonalidade em estratégia: o padrão que funcionou no passado pode mudar. Existe ainda uma segunda, talvez mais importante. O investidor não recebe a média. Ele recebe o retorno daquele ano.

Março apresentou retorno médio positivo de 0,74% no Ibovespa nos últimos 20 anos, mas, em um deles, o índice despencou 29,90%. No S&P 500, outubro teve média positiva de 0,99%, mas já produziu tanto alta de 10,77% quanto queda de 16,94%. A média mostra uma tendência. A amplitude da oscilação revela a incerteza.

A razão é simples: o calendário não provoca o retorno. Abril não faz a Bolsa subir, assim como setembro não a faz cair. Fluxos e comportamentos recorrentes podem ajudar a explicar a sazonalidade, mas juros, crescimento, lucros, preços dos ativos, política e crises podem facilmente se sobrepor a ela.

Então, para que serve a sazonalidade? A resposta está em separar a decisão de investir da execução dessa decisão. Se seu planejamento indica que a participação em ações deveria aumentar e você pretende fazer isso gradualmente, a sazonalidade pode ser mais uma informação para definir o ritmo das compras quando as demais variáveis não apontarem uma preferência clara.

Primeiro vêm objetivos, tolerância a risco e alocação. Depois, cenário e preço dos ativos. Se ainda houver liberdade para escolher o momento da execução, o calendário pode acrescentar informação. Assim, há dois riscos em investir olhando a sazonalidade: acreditar que a média histórica determina o próximo resultado e imaginar que essa própria média permanecerá igual no futuro. Ela pode servir como critério de desempate, mas dificilmente deveria ser o motivo da decisão.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Fonte: Link da fonte

Tags

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore