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O jeito inusitado com que plantas lidam com ameaças – 17/09/2025 – Ciência Fundamental

As plantas são mais estratégicas do que se imagina. Para lidar com o mundo ao redor, como o dos insetos, fungos e bactérias, elas desempenham diferentes estratégias. Essas relações nem sempre são benéficas para elas, que às vezes precisam encontrar um meio termo: um ponto de equilíbrio com seus predadores.

É o caso das galhas, curiosas formações anormais que surgem nas folhas, caules e raízes, e decorrem de respostas celulares das plantas à presença de parasitas, sobretudo insetos. Essas estruturas são bem variadas. Às vezes, se assemelham a um tumor nos caules; outras, a uma protuberância cilíndrica e vermelha que emerge das folhas.

As galhas são o tema de pesquisa da bióloga Rosy Isaias, professora de botânica da UFMG. “Eu pesquiso, em nível celular e tecidual, o que acontece para que a planta não morra. E o que ocorre é um ‘acordo’ entre hospedeira, a planta, e parasita, geralmente um inseto ou fungo. A primeira, mesmo sofrendo prejuízo, busca um equilíbrio para que os dois sobrevivam”, ela resume.

A formação das galhas é um processo complexo de seres complexos: “O inseto galhador desencadeia na planta respostas em suas células e tecidos que criam um ‘outro órgão’ —uma estrutura anexa que trabalha em prol do ciclo de vida do parasita”, explica.

Então, para se manter saudável, a hospedeira desloca para a região da galha substâncias químicas que criam ali um metabolismo especial, visando isolar —e nutrir— o parasita. Já dizia o ditado: se não pode vencê-los, junte-se a eles.

A adaptação da planta ao ataque demanda uma série de mudanças químicas que produzem galhas únicas, de diferentes formas e cores. Ou seja, a interação de cada inseto com cada planta produz uma galha distinta. Como os insetos galhadores costumam ser, via de regra, espécies desconhecidas para a ciência, cada nova galha revela uma espécie nova. Conhecê-las é um desafio, principalmente quando o assunto são plantas de interesse agroflorestal.

“O agricultor, para evitar a propagação de pragas, acaba destruindo, muitas vezes por meio do fogo, as galhas que aparecem nas plantações”, conta Isaias. “Nossa intenção é pegar o conhecimento que temos da flora nativa —o que está acontecendo metabolicamente com as galhas— e aplicar nas plantas de interesse comercial para sabermos melhor como controlar possíveis pragas.”

De modo geral, após cumprir sua função —quando o parasita se desenvolve e a abandona—, a galha seca e cai. Mas há casos em que esses organismos se transformam em ilhas verdes que permanecem vivas e chegam a abrigar colônias de formigas. “Um artigo recente mostrou que, no cerrado, as galhas protegem os insetos até mesmo de incêndios. Após a passagem do fogo, grande parte dos insetos que lá viviam sobreviveram às chamas”, Isaias explica.

Esse trabalho de ciência básica em uma área que sofre de uma lacuna de conhecimento fez da professora —primeira mulher negra a atingir o nível mais alto de produtividade em pesquisa do CNPq— uma referência no assunto.

Segundo ela, o sucesso se dá por uma sensibilidade ao potencial de outros seres vivos que não os homens. “Tanto botânicos quanto ecólogos, zoólogos e microbiologistas estão sempre conversando sobre a vida como um todo, indo além de uma visão focada no ser humano. É importantíssimo sair do antropocentrismo e focar nas interações para a manutenção da vida”, defende.

Ela iniciou, inclusive, um projeto de extensão na UFMG, o Construindo Olhares Botânicos, que visa combater a impercepção botânica —essa insensibilidade das pessoas à variedade e importância das plantas ao nosso redor— e despertar nos estudantes o interesse pelo tema.

“As plantas são a base de tudo na Terra. Entender seus mistérios pode nos ajudar a conviver e respeitar as outras formas de vida no planeta”, conclui.

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