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Conheça o lago africano que “transforma” animais em pedra

Imagens de aves e morcegos aparentemente petrificados às margens do Lago Natron, na Tanzânia, viralizaram na internet em 2013 e alimentaram teorias sobre um suposto lago capaz de transformar animais em pedra. As fotografias, registradas pelo fotógrafo Nick Brandt e publicadas na Smithsonian Magazine, mostravam corpos rígidos em poses quase naturais diante das águas avermelhadas do local.

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Apesar da aparência incomum, os animais não foram petrificados de forma instantânea. O fenômeno está relacionado às características extremas do lago, que possui águas muito quentes, altamente alcalinas e ricas em sais minerais. Segundo especialistas e relatos citados pelo próprio Brandt, os corpos acabam passando por um processo de desidratação e calcificação ao longo do tempo.

Corpo de uma ave aparece ressecado às margens do Lago Natron, na Tanzânia, conhecido pelas águas extremamente alcalinas e salgadas – Imagem: Josemar Franco / Shutterstock

Por que o Lago Natron é tão hostil?

O Lago Natron está localizado em uma região árida da Tanzânia e possui características consideradas incomuns. Suas águas podem atingir até 60 °C, temperatura semelhante à de uma xícara de café quente. Além disso, o lago apresenta níveis extremamente altos de alcalinidade, chegando a um pH de até 12, comparável ao de produtos cáusticos domésticos.

A composição química do lago está ligada à intensa atividade vulcânica da região. Segundo o Earth Observatory, da NASA, vulcões próximos, como o Ol Doinyo Lengai, liberam misturas de carbonato de sódio e carbonato de cálcio. Esses compostos chegam ao lago por meio de fontes termais e ajudam a criar o ambiente hipersalino e alcalino.

Outro fator importante é a pouca profundidade do lago, que raramente ultrapassa três metros. Sob o calor equatorial, a evaporação supera frequentemente as chuvas, concentrando ainda mais os sais minerais presentes na água.

Água vermelha e risco para animais

As águas avermelhadas do lago são resultado da presença de micro-organismos conhecidos como haloarchaea, adaptados a ambientes extremamente salgados. Eles também ajudam a atrair algumas espécies, especialmente o flamingo-anão, que utiliza a região como principal área regular de reprodução no leste da África.


Mesmo assim, o ambiente continua perigoso. Aves migratórias frequentemente colidem com a superfície do lago, possivelmente confundidas pelo forte reflexo da água, que funciona como um espelho natural. Em 2007, até um piloto de helicóptero sofreu desorientação visual sobre o lago e acabou caindo na água.

Brandt relatou ter encontrado diversos corpos de aves e morcegos na margem do lago. Em seu livro Across the Ravaged Land, o fotógrafo afirmou que a concentração de soda e sal era tão elevada que chegava a remover a tinta de caixas de filme fotográfico em poucos segundos.

Águas avermelhadas do Lago Natron vistas de cima
A coloração vermelha do Lago Natron é causada pela presença de micro-organismos adaptados ao ambiente extremamente salgado – Imagem: Danita Delimont / Shutterstock

Animais não viram pedra instantaneamente

Apesar da fama de “Lago Medusa”, referência à personagem mitológica capaz de transformar pessoas em pedra, os animais fotografados não passaram por petrificação. O que ocorre é um processo semelhante à mumificação.

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O natron, mistura de sais que dá nome ao lago, possui grande capacidade de absorver gordura e umidade. O mesmo composto chegou a ser utilizado pelos antigos egípcios na preservação de corpos. Com isso, aves e outros pequenos animais mortos no lago acabam desidratados e recobertos por depósitos minerais.

As poses impressionantes das fotografias também não ocorreram naturalmente. O próprio Nick Brandt explicou que posicionou os corpos manualmente após encontrá-los nas margens do lago, criando a impressão de que haviam sido congelados no instante da morte.

Em entrevista à Smithsonian Magazine em 2013, o fotógrafo afirmou que a água é tão cáustica que até pequenos cortes na pele provocariam muita dor. Segundo ele, nadar no lago seria “uma loucura completa”.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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