O grupo Electra concluiu uma operação de R$ 450,5 milhões com a Copel quando já estava submetido a restrições na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a CCEE.
Em 22 de abril, a comercializadora entrou no chamado registro balanceado depois de não aportar as garantias exigidas referentes a março. O regime restringe o registro de novas vendas sem a correspondente comprovação de cobertura.
Oito dias depois, em 30 de abril, a Copel transferiu ao grupo a UTE Figueira, última das 13 pequenas usinas incluídas no negócio. As outras 12 sociedades haviam sido entregues em 2025, por R$ 425,3 milhões. A operação envolveu a Electra Hydra e a Intrepid.
Em 29 de maio, apenas 29 dias depois da última transferência, a Intrepid e outras três empresas do grupo Electra pediram recuperação judicial em Curitiba.
Nesse intervalo, a comercializadora também deixou de entregar energia a 17 pequenas distribuidoras e permissionárias. A Aneel rescindiu 19 contratos e estimou preliminarmente em mais de R$ 1 bilhão as multas por encerramento antecipado.
O prejuízo pode acabar pesando no bolso do consumidor. Sem a energia contratada da Electra, as distribuidoras terão de buscar reposição no mercado, possivelmente a preços mais altos. Parte dessa diferença poderá aparecer nos reajustes tarifários, depois dos mecanismos de compensação previstos pela Aneel.
O R$ 1 bilhão, porém, não corresponde a um repasse automático para as tarifas. É uma estimativa das multas que serão cobradas da Electra na recuperação judicial. Se algum valor for recuperado, deverá ser revertido em benefício dos consumidores.
A Electra atribui a crise à alta do preço da energia, a mudanças regulatórias e à restrição de liquidez. A área técnica da Aneel, porém, afirma que a companhia vendeu energia sem possuir contratos de compra suficientes para cobrir seus compromissos.
Os documentos não indicam irregularidade na aquisição das usinas. A cronologia, no entanto, abre dúvidas sobre como o negócio foi financiado e se os ativos adquiridos integrarão a recuperação judicial.
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